5 erros de marketing digital que vemos todos os dias em PMEs

Se o título te parece claro e direto, é porque não há como dar a volta. Vamos mesmo falar dos erros de marketing digital mais comuns nas PMEs (Pequenas e Médias Empresas).

Há um padrão que se repete: quando começamos a trabalhar com uma nova empresa e falamos sobre o que está a fazer online, em menos de dez minutos, já conseguimos identificar onde o dinheiro está a escapar. Não porque sejamos especialistas em adivinhação, mas porque os erros tendem a ser sempre os mesmos. E, pior, na grande maioria das vezes são erros invisíveis para quem está por dentro do negócio.

Convenhamos, gerir uma PME em Portugal é, muitas vezes, quase uma aventura “radical”. Os donos e gestores têm de vestir a camisola das vendas, dos recursos humanos, das finanças e, não raras vezes, a do jovem do marketing que conhece as trends das redes e está por dentro do que gera visualizações. E é aqui que começa o erro.

Quando estás a gerir uma equipa, a responder a clientes e a tentar fechar o mês, é difícil ter perspetiva sobre o que está a falhar no teu marketing digital. E com tanta frente de batalha para acudir, é normal que a presença online do negócio acabe por sofrer.

É na tentativa de fazer muito com pouco tempo, que os padrões acabam por se repetir.

Os erros do marketing digital em PMEs e como os atacar

Para cada erro, uma solução. Ora vejamos:

1. Publicar sem estratégia e chamar a isso presença online

Para a maioria das pessoas (ou empresários neste caso), que querem ter uma presença online, é frequente sucumbir ao pensamento típico do “temos de publicar qualquer coisa hoje”. É neste “qualquer coisa” que tudo descamba.

Vamos todos repetir: estar nas redes sociais não é o mesmo que ter uma estratégia de marketing digital. Publicar no Facebook ou no Instagram só para não deixar a página parada, não é uma estratégia de marketing, é só ruído. Publicar quando há tempo, partilhar o que parece interessante, e esperar que o algoritmo faça o resto, não é uma estratégia e não vai gerar resultados.

Isto é só o chamado “atirar o barro à parede”. O planeamento pode parecer algo que consome muito tempo, mas é altamente necessário e relevante. Publicar sem definir o público-alvo, a mensagem da marca e os objetivos de negócio (seja gerar leads, vender produtos ou ganhar notoriedade), é contraproducente.
Uma PME com presença digital eficaz sabe o que publica, para quem publica e o que quer que aconteça depois de cada publicação. Sem isso, está apenas a gastar tempo sem retorno mensurável.

A correção começa com uma pergunta simples antes de cada post: o que quero que a pessoa que vê esta publicação faça a seguir?

O mesmo se aplica a quem quer estar em todas as redes sociais. Hoje é o TikTok, ontem era o Instagram, amanhã será outra qualquer. Um dos maiores mitos das redes sociais para empresas é a ideia de que é obrigatório ter uma conta em todas as plataformas.

Questiona sempre: será que faz sentido gastar recursos em determinada rede social (uma empresa de materiais de construção B2B vai mesmo fazer negócio através do TikTok? Provavelmente não).

Por isso, é importante analisar o público-alvo e determinar as redes sociais mais adequadas para cada negócio. Mais vale ter uma presença forte no LinkedIn, por exemplo, do que ter cinco páginas inadequadas e com conteúdo fraco. A qualidade vence sempre a quantidade.

2. Ignorar o SEO local

A maioria das PME portuguesas vende a clientes numa área geográfica específica, mas a maioria também tem o perfil do Google Business desatualizado, sem fotos, sem respostas a avaliações e sem palavras-chave na descrição.

Quando alguém pesquisa por “canalizador perto de mim” ou “restaurante em …”, o Google mostra os resultados locais. Não ter a informação do negócio validada, sem fotografias, sem o horário de funcionamento atualizado ou sem avaliações de clientes é um erro crasso quando se fala em marketing digital para PME.

O Google é o primeiro lugar onde os teus potenciais clientes procuram. Um negócio que não aparece ou aparece mal, já perdeu a venda para o concorrente.

Otimizar o perfil do Google Business é gratuito, demora menos de duas horas e pode mudar radicalmente a quantidade de contactos que uma PME recebe por semana.

3. Medir as métricas erradas

O que não se mede, não se gere. No digital, quase tudo é rastreável, e por isso há que deixar de lado as decisões baseadas em “achismos”.

Likes, seguidores, alcance. Apesar de parecerem números importantes, raramente o são. Uma PME não sobrevive de likes, mas sim de clientes.

As métricas que realmente interessam são: custo por lead, taxa de conversão do site, origem dos contactos e retorno sobre o investimento em publicidade, porque são estes que nos dizem se o marketing está a trabalhar para o negócio.

E a melhor parte é que ninguém precisa de ser um analista de dados complexo. Ferramentas como o Google Analytics e os insights das redes sociais são úteis para perceber o que resulta ou não.

A pergunta que cada PME deve fazer é “quanto vale para o meu negócio cada euro gasto em marketing?”.

Mas, mais uma vez: há que analisar cada caso e perceber o que faz sentido para cada negócio.

4. Não ter nenhum funil definido

Tráfego sem funil é tempo perdido.

Uma PME até pode ter um bom alcance nas redes sociais, visitas ao website e cliques nos anúncios, e mesmo assim não converter nada.

Um funil básico para uma PME não precisa de ser complexo: existe um ponto de entrada (conteúdo, anúncio, pesquisa), uma página onde a pessoa aterra e percebe o valor do que a empresa oferece, e uma ação clara para dar o próximo passo (o chamado Call to Action – CTA – que pode ser: pedir orçamento, agendar chamada, comprar…).

O erro mais comum é saltar diretamente do “publicar nas redes sociais” para “esperar que os clientes apareçam”, sem nenhuma estrutura entre os dois.

A estrutura existe por uma razão e essa razão são os resultados.

5. Tratar o marketing como um custo e não como um investimento

Este é o erro mais comum e mais profundo, mas também o mais difícil de corrigir, porque é cultural e está enraizado na estrutura (na maioria das vezes) e na forma como o marketing é visto dentro de cada empresa.

Quando o marketing é tratado como custo, é o primeiro a ser cortado quando as coisas correm mal. Quando é tratado como investimento, é gerido com critério, medido com rigor e mantido mesmo quando o mês é duro e os resultados ficam aquém do esperado, porque é nestas alturas que trabalha melhor.

As PME que crescem de forma consistente online não são necessariamente as que gastam mais, mas sim as que gastam de forma mais intencional.

Quer isto dizer que quando se vê e trata o marketing como um investimento, é mais fácil perceber e colocar em curso ações corretivas e de melhoria, para correr atrás dos resultados pretendidos (que podem, por vezes, demorar, mas quando se trabalham de forma estratégica e consistente, acabam por aparecer).

Correções em 3, 2, 1…

Para quem reconheceu estes erros, nada temam. São retificáveis. O primeiro passo é parar, olhar para o que está a acontecer e decidir o que vai mudar.

O marketing digital para PMEs vive da consistência, do foco e da correção do plano. Correção essa que – muitas vezes – passa pelo aconselhamento ou recurso a profissionais especializados. O teu negócio (e a tua faturação) vão agradecer.

Se quiseres alguma orientação ou tiveres dúvidas que gostavas de ver esclarecidas, contacta-nos.


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